domingo, 8 de setembro de 2013

Comer menos não funciona


No início dos anos 90, nos EUA, foi lançado um programa de estudos sobre saúde da mulher, o Women's Health Initiative (WHI). Um dos pontos a ser esclarecido era se dietas pobres em gordura realmente preveniam doença do coração e câncer. Cerca de 20 mil mulheres foram incluídas aleatoriamente na pesquisa e orientadas a consumir uma dieta pobre em gorduras e rica em frutas, vegetais e fibras, enquanto recebiam aconselhamento nutricional regularmente para que permanecessem na dieta. Essas mulheres consumiam em torno de 360 calorias a menos do que consumiam antes do estudo. 

Se acreditamos que a obesidade é causada pelo "excesso de alimentação" ou excesso de calorias ingeridas, então podemos supor que estas mulheres deveriam emagrecer com o passar dos anos, já que estavam consumindo cerca de 20% menos calorias do que as autoridades em saúde pública recomendam que mulheres adultas devam consumir.

Resultado? Após 8 anos com tal restrição calórica, ou seja, comendo menos, estas mulheres perderam, em média, 1kg, enquanto a circunferência de cintura, aumentou, o que sugere que a perda de peso, quando houve, foi de massa magra e não de gordura.

Se realmente nosso peso é determinado pela diferença entre calorias ingeridas e gastas, então essas mulheres deveriam emagrecer significativamente. Um quilo de gordura contém cerca de 7000 calorias, então elas deveriam ter perdido mais de 1kg de gordura nos 19 primeiros dias (7000 calorias /360 calorias = 19), não em 8 anos! Metade delas iniciou o estudo com obesidade e a grande maioria estava com sobrepeso.

O relato deste estudo foi tirado do livro "Why we get fat" (Gary Taubes) e neste há vários outros exemplos de estudos científicos controlados mostrando os mesmos resultados: restrição calórica leva a perdas de peso modestas e temporárias. Em 1 ano, os indivíduos reganham todo o peso perdido ou engordam mais do que no início da "dieta".

Se comer menos não é o tratamento para obesidade, isso certamente sugere que comer mais não é a causa.

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