sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Compulsão Alimentar - o que é isso?


O Transtorno da Compulsão Alimentar (TCA) é caracterizado por episódios recorrentes de ingestão de grande quantidade de alimentos, dentro de um curto período, acompanhada da sensação de perda de controle e de sentimentos de culpa, vergonha, tristeza e angústia.

O comportamento alimentar do comedor compulsivo tem como características principais:

- comer mais rápido do que o habitual, até se sentir desconfortável;
- ingestão de grandes quantidades de alimento mesmo não estando com fome;
- comer sozinho devido ao constrangimento pela quantidade de alimentos que ingere;
- repulsa por si próprio, sentimentos de depressão ou de muita culpa após o episódio de compulsão

Indivíduos com TCA são grupos de risco para ganho de peso, sendo aproximadamente 65% deles obesos, embora este transtorno possa ocorrer em pessoas de peso normal.

Paciente com TCA têm maior comorbidade com depressão, abuso de álcool e drogas, transtorno de personalidade e insatisfação com a imagem corporal.

Os fatores desencadeantes para compulsão alimentar são ansiedade, estresse, tensão, a busca por emagrecer, ócio, raiva, insônia, depressão, dificuldades afetivas, baixa assertividade entre outras, além de dietas radicais, jejuns etc. O indivíduo compulsivo por alimentos confunde emoções com a fome e a compulsão alimentar é uma maneira inadequada de lidar com elas.

A compulsão alimentar, quando diagnosticada, precisa ser tratada adequadamente através de acompanhamento multiprofissional especializado na área: nutricionista, terapia comportamental cognitiva com psicológo e psiquiatra.

Referências:
APA - American Psychiatric Association. Diagnostic ans statistical manual of mental disorders (DSM-5). 5thed. Washington: APA, 2013.
Alvarenga M et al. Nutrição e transtornos alimentares - Avaliação e tratamento. Barueri: Manole; 2010.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Exercícios sem alimentação adequada não garantem emagrecimento


Adaptado do texto de Rodolfo Noronha Peres - Nutricionista 

Hoje, mais do que nunca, o assunto “queimar gordura” chama a atenção de um número cada vez maior de pessoas. Produtos ou dietas milagrosas estão em todos os lugares, seja na televisão, em revistas ou nas livrarias (sempre entre os mais vendidos). A indústria da perda de peso movimenta cifras milionárias, pois a obesidade vem crescendo de forma assustadora, sem distinção racial ou social, tanto nos países desenvolvidos como nos subdesenvolvidos. 

Acreditem, o maior contribuinte para o sucesso em um programa de redução da gordura corporal, não está em nenhuma droga mirabolante, em nenhum suplemento milagroso, mas sim em uma alimentação adequada. A nutrição corresponde aos processos gerais de ingestão e conversão de substâncias alimentícias em nutrientes que podem ser utilizadas para manter a função orgânica. Esses processos envolvem nutrientes que podem ser utilizados com finalidade energética, para reconstrução e reparo dos tecidos, para a construção e manutenção do sistema esquelético e para regular a fisiologia corpórea.

Durante milhões de anos, o ser humano sempre soube se alimentar, procurando intuitivamente se alimentar de forma adequada. Os alimentos do homem caçador e coletor foram a carne, os frutos e oleaginosas. Depois vieram os tubérculos, raízes e cereais, cuja obtenção exigiu o uso de instrumentos, isto coincide com o início da agricultura. A abundância de recursos alimentares dependia de fatores ambientais, o homem se deslocava em busca de comida, até que aprendesse a dominar os fenômenos naturais e produzir seu próprio alimento.

Durante cerca de 2.300 anos, nós mantivemos grande parte dos hábitos alimentares adequados, sendo que somente nos últimos 150 anos, o avanço tecnológico vem modificando a relação humana com o meio ambiente, ou seja, nossa alimentação vem piorando em progressão geométrica. As tendências de transição nutricional ocorridas principalmente no século passado em diferentes regiões do mundo convergem para uma dieta mais rica em gorduras (particularmente as de origem animal), açúcares e alimentos refinados; ao mesmo tempo em que essa dieta é reduzida em fibras, carboidratos complexos e alimentos funcionais.

Geralmente a alimentação do indivíduo, reflete seu estilo de vida. É fácil deduzir que existem grandes diferenças entre a alimentação de uma pessoa obesa e de outra musculosa e com baixo teor de gordura corporal, simplesmente olhando para eles. Entretanto, não será a alimentação de hoje ou de amanhã que surtirá este efeito, mas sim a alimentação contínua através das semanas, meses e anos.

Primeiramente, devemos corrigir o conceito errôneo de perda de peso. Perder peso definitivamente não é igual a perder gordura. Aqueles mais impacientes, na ignorância de achar que quanto mais rápido melhor, buscam dietas nas quais ocorre uma redução de 3, 4, até 5 kg por semana. Ao invés de ficarem felizes quando atingem uma perda como esta, deveriam na verdade ficar muito tristes, pois a maior parte desta perda ponderal terá sido certamente de líquido e massa magra.

Para conseguir a diminuição da massa adiposa é necessária a existência de balanço energético negativo, condição na qual o gasto energético supera o consumo de energia. Os estoques de energia do organismo são consumidos para sustentar os processos metabólicos, o que leva à perda de peso, frente ao déficit energético.


 
Uma das maiores mentiras que a indústria do fitness pode vender para seus clientes é que o exercício físico isoladamente irá queimar gordura. Estudos indicam que sem o controle nutricional, o indivíduo tende a realizar aumento do consumo de calorias de forma compensatória. Assim, o possível efeito redutor da adiposidade imposto pela atividade física somente é perceptível com a intervenção nutricional.

Por isso é tão comum observamos pessoas acima do peso ou obesas caminhando todo santo dia nos parques e não emagrecerem um grama! Certamente elas não têm um planejamento alimentar adequado, não foram orientadas como se alimentar antes e após os exercícios e ao longo de todo o seu dia. Sendo assim, não vêm resultados e se sentem sem estímulo para continuar a praticar atividade física. 
 
Na verdade, a dieta é muito mais eficiente em produzir déficit energético do que o exercício físico, mas isoladamente, as dietas hipocalóricas podem causar perda de massa magra. Portanto, o exercício físico em associação com dietas, facilita a adesão ao controle alimentar e garante maior sucesso na manutenção da massa magra e redução da massa adiposa.
 
Hoje, as lojas de suplementos estão repletas de queimadores de gordura que prometem acelerar o metabolismo. Nenhum desses produtos irá realmente trazer um grande benefício quanto à mudança na composição corporal, sem uma alimentação adequada atuando sinergicamente. Também não podemos omitir que realmente existem algumas drogas, utilizadas no mundo do fisiculturismo, que realmente tornam o metabolismo mais ativo, proporcionando uma grande queima de gordura corporal. No entanto, os efeitos colaterais provenientes do uso abusivo dessas drogas são imensuráveis. Nunca se esqueça de que seu bem mais precioso é sua saúde!
Para a elaboração de um ótimo planejamento nutricional, que sirva para você, procure sempre os serviços de um nutricionista especializado.