domingo, 12 de junho de 2011

Prazer faz bem ou mal?


Podemos arriscar dizer que grande parte das pessoas acredita que comer aquilo que é gostoso engorda ou faz mal e que, portanto, é proibido ou não devia gostar daquele (s) alimento (s).

Paul Rozin, psicólogo e estudioso do comportamento alimentar americano fez uma pesquisa com povos de diferentes nacionalidades, especialmente americanos e franceses.
O trabalho teve como ponto de partida o consumo frequente de gordura saturada e de açúcar na França. Para os americanos, se lá se come assim, isso necessariamente deve trazer consequências negativas para a saúde da população. No entanto, os franceses não têm taxas alarmantes de obesidade e de doenças cardiovasculares. Qual é então o "segredo" deles?

Até pouco tempo atrás, a explicação estava apenas em elementos biológicos protetores, como prática de atividade física, consumo de vinho, antioxidantes etc. Porém, ao se comparar as ATITUDES ALIMENTARES (crenças, comportamentos e pensamentos em relação ao alimento) entre os norte-americanos e franceses principalmente, foram notadas diferenças importantes. Os participantes responderam questões sobre:
- ingestão de alimentos com menos gordura e sal para melhorar a saúde;
- preocupação com quão saudáveis são meus hábitos alimentares e os dos outros;
- preocupação com o efeito "engordativo" da comida versus o desfrutar do sabor, por exemplo: chocolate combina com "engordativo" ou "delicioso"?;
- pensar na comida em termos culinários e não nutricionais, por exemplo: ovos fritos combinam mais com "café da manhã" ou "colesterol"?;
- se a pessoa acha que se alimenta de forma saudável etc.

Resultados:
Comparados com os franceses, uma porcentagem maior de americanos:
- associaram muito mais os alimentos a características como "saudável" e "não saudável" do que a características sensoriais dos alimentos como sabor, aroma, textura etc.;
- disseram que prefeririam consumir uma pílula no lugar das refeições (!!!);
- disseram que prefeririam escolher uma semana em um hotel luxuoso que servisse refeições medianas a ficar em um hotel modesto mas com comida deliciosa (pelo mesmo preço);
Por outro lado, muito mais franceses concordaram com a afirmação "Eu tenho uma alimentação saudável."

Resumindo as diferenças de alimentação e atividade física entre franceses e americanos, segundo pesquisa de Rozin (2003), temos:
  • Tamanho das porções alimentares
  • Duração da refeição
  • Comer com outras pessoas, socializando-se e conversando
  • "Beliscadas" ao longo do dia
  • Priorizar frescor e sabor X Tempo de prateleira
  • Prazer alimentar X "Paranoia" alimentar
  • Consumo alimentar (ex.: frutas, verduras, vinho)
  • Variedade alimentar
  • Caminhar/bicicleta X andar de carro
E quanto às diferenças de paradigmas:
  • Moderação X Ideologia da abundância
  • Qualidade X Quantidade
  • Prazer X Conforto
O que isso nos mostra?

Que o prazer de comer, de preparar a comida e usar o momento da refeição para socializar e estar junto de quem se gosta, aliado a um estilo de vida menos sedentário, faz dos franceses não apenas uma população com baixos índices de doenças, mas menos preocupada ou estressada sobre alimentação e talvez esse seja um dos motivos de serem mais saudáveis em relação aos americanos, que estão cada vez mais obcecados com dietas, lançando a todo momento estratégias "milagrosas" para perda de peso, fazendo uso de produtos diet/light constantemente, abrindo mão de apreciar a comida e no entanto, as taxas de obesidade nos EUA continuam crescendo significativamente desde as últimas décadas.

E os brasileiros? Será que se assemelham a quais povos em relação à maneira como lidam com a alimentação?

E você? Vive fazendo "dieta", privando-se de tudo aquilo de que gosta, ou perdendo até a noção do que gosta ou não, comendo algo só porque acha que é "mais saudável" e no entanto não consegue resultados, continuando sempre insatisfeito (a)? Somente um nutricionista especializado poderá ajudá-lo (a) a melhorar sua relação com a comida e não somente começar "mais uma dieta".

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