quinta-feira, 26 de maio de 2011

Preconceito e estigma contra a obesidade

Indivíduos que sofrem de obesidade são vítimas de discriminação e têm sua saúde afetada por isso. De uma maneira geral não recebem tratamento médico adequado, inclusive para tratar outras condições não relacionadas com a obesidade. Estão mais sujeitos à depressão, baixa auto-estima, baixa aceitação corporal, comportamentos suicidas e de compulsão alimentar e evitação de atividade física.

Contrariando falsas premissas sobre os obesos, tais como:

- o obeso é culpado por sua situação, por ser guloso ou preguiçoso;
- o obeso não percebe o quanto está gordo e por isso não se esforça para emagrecer;
- o obeso acha bonito e saudável ser obeso; 
- o preconceito contra obesos é positivo, pois os estimula a emagrecer... entre outros,
           
um estudo australiano que avaliou as vivências de 76 obesos (Thomas et al. 2008), revelou alguns dados importantes:

- todos eles tentaram perder peso diversas vezes;
- 25% afirmou que fez dieta a vida inteira;
- a maioria disse que pensava constantemente sobre seu peso e como poderia perdê-lo;
- muitos deles afirmaram ouvir comentários de estranhos sobre o seu peso ao comprarem comida ou roupas;
- alguns citaram a mídia e os próprios profissionais de saúde como reforçadores do estigma ao falarem constantemente sobre como a obesidade sobrecarrega o sistema de saúde;
- sentiam-se frustrados por ouvir constantemente o que fazer para emagrecer, mas não recebiam suporte para se exercitarem e se alimentarem de forma mais adequada.


Algumas das conclusões dos autores, portanto, foi de que, receberem mensagens sobre como emagrecer, mas acharem difícil agir contra a obesidade, mostra que os obesos percebem sim seu peso e se importam com sua condição.

O papel do profissional da saúde é diminuir a ênfase em soluções rápidas que assumem que o indivíduo isoladamente seja capaz de lidar com as questões complexas que envolvem a obesidade!
O Rudd Center For Food Policy and Obesity - Yale University - Connecticut - EUA é uma organização não governamental que atua nas áreas de pesquisa e políticas públicas e tem como objetivos melhorar a alimentação mundial, prevenir a obesidade e reduzir o preconceito contra o peso. O Rudd Center busca atingir seus objetivos de diversas maneiras, incluindo a realização de vídeos educativos.
Profissionais do GENTA (http://www.genta.com.br/) legendaram um destes vídeos, que foi utilizado na Semana de Conscientização em Transtornos Alimentares de 2009 para discutir o preconceito e estigma contra obesidade, inclusive dentro da classe médica e de profissionais da área da saúde. Vale a pena assistir, refletir e divulgar a ideia!

terça-feira, 24 de maio de 2011

Vitaminas e minerais engordam?

           
                Esta dúvida bastante comum leva a um grande equívoco no que se refere a conceitos nutricionais. As vitaminas, presentes em maior proporção nas frutas e legumes, representam os nutrientes fundamentais para a regulação metabólica.
                Em uma salada de frutas por exemplo, há banana, mamão, laranja entre outras. Nesta mistura temos a presença beta-caroteno (mamão), vitamina C (suco de laranja), potássio (banana).
                Estes nutrientes desempenham funções específicas e importantes em nosso organismo como o beta-caroteno - precursor de vitamina A, que age na adaptação da nossa visão à penumbra. Quando entramos em um ambiente escuro e levamos muito tempo para conseguirmos enxergar um pouco, isto pode ser um sinal de deficiência de vitamina A. Já a vitamina C, tão comentada pela sua ação protetora no combate a gripes e resfriados, age na absorção do ferro e em outras atividades metabólicas. O potássio, cuja falta erroneamente é apontada como responsável pelas cãibras, age mantendo o equilíbrio dos líquidos corporais juntamente com o sódio, presente no sal de cozinha.
                Estes micronutrientes – assim classificados pela pequena necessidade diária - desempenham diversas funções no organismo, porém não fornecem energia, portanto, não engordam. Nossa necessidade diária destes nutrientes é pequena, mas constante. Isto quer dizer precisamos consumir regularmente. As vitaminas chamadas de hidrossolúveis (complexo B e Vitamina C) não são estocadas, assim consumir em excesso significa "enriquecer" a urina e não o organismo. Além de sobrecarregar os rins, em algumas situações pode favorecer a formação de cálculo renal. Portanto, tomar fórmulas de polivitamínicos, só com prescrição de um nutricionista, pois as doses devem individualizadas.
                Ao se preocupar em ingerir as vitaminas e minerais, consuma frutas e legumes de forma variada, tendo como base a cor dos alimentos. Como consequência, terá maior variabilidade de vitaminas e minerais garantindo os nutrientes essenciais na manutenção das funções fisiológicas.
                Se sua preocupação é que com isso irá ganhar peso, lembre-se: vitaminas e minerais não engordam e devem ser consumidos em pequena quantidade regularmente.

Fonte: http://nutritips.blog.uol.com.br/

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Beleza real

É muito fácil sermos seduzidos por imagens. Revistas, televisão, a mídia em geral nos bombardeia com fotos e ideais de corpos magros, musculosos, pele lisa, sem rugas, como se a perfeição fosse possível e estivesse ao alcance de qualquer um.

Segundo o Instituto Dove, apenas 2% das mulheres se vêem como belas. Será o parâmetro de comparação justo? Ou real?

http://www.youtube.com/watch?v=iYhCn0jf46U&feature=related

Se ainda restasse alguma dúvida, o vídeo acima ilustra bem como qualquer programa de edição de imagens, pode transformar uma pessoa comum em uma 'top model'. Por que se deixar levar por padrões reconhecidamente falsos, fabricados por truques de computador? No final do vídeo aparece a frase: "Não é de admirar que nossa percepção de beleza está distorcida."

Não seria muito mais saudável e libertador reconhecermos e aceitarmos a diversidade de formas, tamanhos corporais, tons de pele etc. e a partir disso, cuidar da saúde e do corpo de forma equilibrada ao invés de perseguir um padrão irreal?

Este outro vídeo, serve aos pais, para orientar suas filhas principalmente, sobre a diversidade natural de formas físicas, mudanças corporais normais de cada idade, valorização de características e habilidades não somente físicas para que não se tornem mulheres escravas desta ditadura e não desenvolvam comportamentos alimentares inadequados. Vale a pena assistir e refletir.

"Converse com sua filha antes que a indústria da beleza o faça."

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Fome x Saciedade

A fome é a sensação fisiológica que nos faz procurar e ingerir alimentos para satisfazer as necessidades de nutrientes.
Fatores que geram sinais de fome:
- principalmente a diminuição da quantidade de nutrientes no sangue como glicose, aminoácidos, gordura etc. A insulina é um hormônio que age aumentando a captação de glicose e baixando a quantidade de açúcar no sangue, estimulando a fome.
A saciedade é o processo inverso da fome, também desencadeado por vários estímulos:
1) Mastigação: para comermos em quantidades adequadas ao nosso organismo, é necessário estarmos atentos à mastigação, pois ela tem papel importante na saciedade;
2) Distensão da parede gástrica: o tempo de permanência do alimento no estômago depende principalmente da sua composição e não simplesmente da quantidade. Quanto mais gordura o alimento possui, maior o tempo necessário para o esvaziamento gástrico;
3) Hormônios liberados durante o processo de digestão:
- Grelina: estimula o apetite quando estamos em jejum ou com níveis de açúcar no sangue baixos. Após a refeição sua concentração diminui. Ao contrário, se o indivíduo passa muitas horas sem comer, no momento em que for fazer uma refeição, a concentração de grelina estará tão alta que ela direcionará todo o conteúdo calórico ingerido para ser transformado em gordura e o resultado pode ser um ganho de peso contínuo;
- Colecistocinina: aparece em resposta à presença de proteínas e gorduras que chegam ao intestino e que servem de estímulo para sua ação de reduzir o neuropeptídeo Y (indutor do apetite), levando à saciedade;
- PYY e o GLP1: quando os alimentos chegam ao intestino, estes dois sinalizadores importantes e decisivos de saciedade plena também entram em ação;
- Leptina: produzida no tecido gorduroso, indica a quantidade de gordura corporal com sinais que vão para a circulação sanguínea, chegam ao cérebro e inibem a ingestão de alimentos;
Esse processo completo, desde a mastigação até a chegada do alimento ao intestino leva cerca de 40 minutos. Os sinais vão ate o hipotálamo (centro da fome e saciedade), e produzem comandos para a procura e ingestão de alimento, preparam o trato gastrointestinal para recebê-lo e processá-lo e indicam o momento de parar de comer.
Portanto, comer devagar é fundamental, caso contrário, não há tempo para que os hormônios iniciem sua mensagem de saciedade no cérebro e é preciso comer mais para ficar satisfeito.
E muito importante: quando fazemos restrições severas ou ingerimos excessos alimentares sem fome, esse processo é desregulado e fica mais difícil sabermos quando estamos com fome e quando estamos saciados.

sábado, 7 de maio de 2011

Não confie na balança!


Quem pretende emagrecer vive subindo na balança para conferir o peso. No entanto, esta não é a forma adequada de ver se você está de fato emagrecendo e de forma saudável.

A balança nos fornece apenas o valor absoluto do peso, mas não mostra a diminuição de massa gorda ou magra (músculos, água, ossos e órgãos). O mais saudável é reduzir gordura apenas para não ficar desidratado ou desnutrido.

Uma avaliação corporal detalhada, como a composição corporal através de medidas de dobras cutâneas e perímetros corporais ou a bioimpedância, se usados adequadamente, podem nos informar melhor o percentual de gordura corporal e quantidade de massa magra, sendo um dado mais confiável no acompanhamento do emagrecimento.

Além disso, quem está em processo de reeducação alimentar e emagrecimento não deve se pesar com muita frequência, pois, de uma semana para outra, por exemplo, podem ocorrer oscilações no peso devido a diversos fatores, como:

- Hormônios: no período pré-menstrual as mulheres retêm mais líquido no corpo, sentindo-se inchadas;
- Uso de medicamentos que contribuem com a retenção de líquidos;
- Funcionamento intestinal, que pode estar irregular naquele momento;
- Fatores psicológicos, como estresse, também podem provocar acúmulo de líquidos no corpo;
- Atividade física: promove ganho de massa muscular, que pesa mais do que a gordura, causando aumento no peso total, mas isso não quer dizer que o indivíduo “engordou”!
Assim, um aumento de peso observado na balança pode ser erroneamente interpretado como ganho de gordura gerando ansiedade e podendo comprometer a continuidade do tratamento nutricional.

Consulte sempre seu Nutricionista e faça um acompanhamento adequado de seu peso e de sua alimentação.


Os maiores erros de quem "faz dieta"

Comer menos de 1200 calorias ao dia: Não promove emagrecimento saudável e duradouro; ocorrem deficiências de vitaminas e minerais, já que não há garantia de quantidades mínimas de cada grupo alimentar; em poucos dias o organismo torna-se econômico por não receber a energia e nutrientes de que precisa, ou seja, a gordura em excesso não é utilizada e o emagrecimento deixa de ocorrer. Além disso, é impossível comer muito pouco por muito tempo e a restrição muito severa pode levar a compulsões;

Fazer jejum por tempo prolongado: o organismo entende isso como uma agressão. Para compensar, reduz o metabolismo e a pessoa passa a gastar menos energia e, consequentemente, não perde peso ou o emagrecimento estaciona;

Pular refeições ou substituí-las por leite, sucos, frutas ou outros alimentos isolados: não possuem todos os nutrientes necessários. As refeições devem conter alimentos de todos os grupos. Quando for se alimentar novamente, a tendência é comer mais do que o necessário e de maneira inadequada;

Comer sempre o mesmo alimento: é enjoativo. Quanto maior a variedade e o número de cores e sabores, mais nutritivas são as refeições e maior a sensação de saciedade. A lista de substituições fornecida pelo nutricionista auxilia a diversificar a alimentação e torná-la mais atrativa;

Eliminar os alimentos ricos em carboidratos das refeições: eles são a principal fonte de energia e contribuem com o emagrecimento. A falta deles em uma refeição leva à “fissura” por alimentos justamente fonte de carboidratos e pode fazer com que a pessoa acabe tendo uma compulsão, ou seja, se restringir muito as massas e os pães, é com estes alimentos que cometerá exageros posteriormente.

Exagerar na ingestão de alimentos ricos em proteína: comer somente carnes, iogurtes, queijos brancos sobrecarrega os rins (órgãos vitais, pois filtram o sangue incessantemente) e o sistema digestório, dando sensação de cansaço e lentidão, pois falta a energia imediata vinda dos carboidratos. Esta prática também não tem fundamento científico para promover maior perda de peso do que uma alimentação adequada. Ao eliminarmos alimentos do grupo dos carboidratos, perdemos água e massa muscular e NÃO gordura.

Exagerar nos produtos dietéticos: nem sempre são menos calóricos.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Tipos de fome

Especialistas do Ambulim (ambulatório do HC-FMUSP, que trata transtornos alimentares) criaram algumas definições que nos ajudam a diferenciar a fome de diferentes tipos de vontade:
Fome: não é específica. Qualquer alimento que você tenha disponível, pode matar a fome. Pergunte-se: eu comeria agora um ovo ou feijão com arroz?
O que estou sentindo é fome? Se a resposta for SIM: coma em quantidade e qualidade adequadas à refeição. Se a resposta for NÃO: pule para o próximo item.
Vontadezinha: relacionada a uma situação social. Acontece quando nem estávamos pensando naquele alimento, mas temos contato com ele, vemos, sentimos seu cheiro, ouvimos falar dele. Também chamada de fome social, pode fazer com que comamos “no modo automático”, ou seja, sem perceber. Por exemplo, quando aquele amendoim ou petisco está em cima da mesa e acabamos pegando, mesmo sem fome.
O que estou sentindo é vontadezinha? Se a resposta for SIM: avalie se precisa realmente comer. Se possível não coma, mas se não for, coma uma pequena quantidade e atenção ao ato de comer. Torne a situação consciente e preste atenção para valorizar o momento e não se sentir culpado depois. Se a resposta for NÃO: pule para o próximo item.
Vontade: é bem específica, mas não é urgente. Você pode, por exemplo, esperar até o fim de semana para comer sua sobremesa favorita na casa da mãe, da avó. Relacionada ao prazer, ao degustar, apreciar, saborear. Envolve comer devagar e em quantidades não exageradas. Pode ter um contexto de lembrança ou memória alimentar, vontade reviver um sabor gostoso, experimentação de algo novo, etc..
O que estou sentindo é vontade? Se a resposta for SIM: coma com prazer! Você merece! Se a resposta for NÃO: pule para o próximo item.
Vontadezona: não é específica, mas envolve a necessidade de comer algo gostoso. Também chamada de fome emocional. Não satisfaz com pequena quantidade, necessidade de grande volume e urgência. Pode surgir de um acúmulo de vontades que não foram respeitadas e aceitas por conta de um pensamento restritivo ou ideia de “proibido”. Quando isso acontece, come-se geralmente de forma impulsiva, sem sentir muito o gosto, fazendo-se misturas de sabores que não combinam. No momento em que se come, podem vir pensamentos como “não era bem isso que eu queria” ou “nada me satisfaz”. O que estou sentindo é vontadezona?
Se a resposta for SIM: cuidado! Provavelmente o que você precisa não é de comida e deve estar relacionado a um componente emocional. Pare, sinta e reflita.
EMOÇÃO ASSUMIDA NÃO VIRA COMIDA!
Um Nutricionista especializado pode ajudar você a se alimentar de forma equilibrada ao longo do dia e a distinguir fome fisiológica de fome emocional, utilizando ferramentas e técnica apropriadas para isso.